Pensar a Imagem, Volume 2, Ano 2018

Leo Lara, entre o fotojornalismo e a fotografia corporativa

18 de julho de 2018

A Err01: Revista de Fotografia conversou com Leo Lara, fotógrafo de Minas Gerais que desenvolve projetos que dialogam entre a fotografia corporativa publicitária e o fotojornalismo. Confira a entrevista.

Quando e como surgiu o interesse pela fotografia?

A fotografia já havia tocado minha alma desde criança e ao ver uma foto do Rio de Janeiro que meu pai fez em sua viagem com minha mãe, usando uma Olympus Trip35mm, meus olhos se encheram de interesse por aquela imagem linda.

Ao completar 15 anos ganhei, de minha irmã, uma Canon T50 e daí comecei a brincar de verdade.

A fotografia sempre esteve perto de mim de alguma forma e lembro que meu primeiro ato comercial, para não dizer profissional, foi o registro de uma festa a fantasia no clube da cidade onde nasci. Tenho os negativos guardados até hoje e usei um filme Kodak 400 Cor e, por incrível que pareça, os negativos aindam imprimem boas fotos.

Seguindo a vida, eu trabalhava como faturista na Klabin Embalagens em Contagem (MG), vizinho à Fiat. E como já tinha um relacionamento forte com a minha câmera, naquela época uma Nikon FM2, eu colaborava com o departamento de comunicação da matriz em SP e enviava agumas fotos do cotidiano da empresa para um jornal interno. Despertei o olhar do diretor de comunicação que me convidou a passar uma semana por lá, para conhecer e aprender mais um pouco sobre a comunicação institucional.

ABRAFE – Fábrica Pirapora/MG. Foto Leo Lara/Divulgação ©

Um ano se passou e uma amiga, a jornalista Márcia Nerys, sabendo de meu interesse pela fotografia, indicou-me para uma entrevista com o fotógrafo da Fiat, Umberto Cerri, em novembro de 1986. Essa passagem da minha vida foi a mais importante, pois foi onde eu aprendi, primeiramente como assistente de meu mestre e depois, com a experiência de 1 ano, eu já estava fotografando sozinho.

Pode parecer muito tempo, mas naquela época era muita responsabilidade delegar a um pretendente sem formação o atendimento de uma empresa e ainda mais usando maquinas tipo PENTAX 6×7, onde tudo era extremamente manual, inclusive a fotometragem. As iluminações artificiais eram produzidas por flashes tipo METZ 45 e 60, verdadeiros tanques de guerra e todo o equipamento pesava muito. Vale lembrar que cada filme, no formato 120, continha 10 frames e usávamos filmes preto e branco, filmes cor negativo e positivo e ainda tinha que revelar tudo isso. Fui a KODAK SP na época para fazer um curso de revelação do processo E6 que usávamos para revelar os cromos (filme cor positivo) . Cheguei a revelar 20 filmes desses por dia temendo sempre um erro, pois tudo ia por água abaixo se a temperatura ou o nível de PH (utilizada para especificar a acidez ou basicidade de uma solução aquosa) do químico variasse.

Eu adorava o laboratório, pois no início passava muito tempo dentro dele para aprender todos os processos. Não precisa nem dizer que o perfume do fixador era sentido por todos na faculdade, pois eu saia do trabalho e tinha que ir pra Fafi-BH (hoje Uni-BH) onde me formei em Publicidade e Propaganda. Até o meu professor de fotografia me dispensou de suas aulas devido ao estágio avançado em que eu já me encontrava. Mas claro que eu não queria perder nada disso e insistia para ajudá-lo nas aulas. Escrevendo sobre isso agora me fez voltar ao passado e me lembrar de várias histórias fantásticas sobre a fotografia na minha vida e na construção do meu olhar. Vou contar uma dessas histórias para dar um brilho nessa entrevista: eu tinha uma missão de fotografar todo o processo de reflorestamento de uma empresa no norte de Minas e esse foi o meu primeiro trabalho importante. Estava ao lado de um outro mestre do cinema, Helio Giovane, que viajou comigo para essa missão. Eu cheguei a confessar para ele que tinha um receio de não saber o que fazer direito e isso me deixava ansioso e logo de pronto veio uma dica preciosa que levei para toda minha vida e ainda aplico. Ele disse: “Leo, faça detalhes de tudo que você ver, além do feijão com arroz “. Com essas palavras eu fui adiante e naquele trabalho, que levou 4 dias, fiz de tudo que aparecia na minha frente. Claro que com um senso de aproveitamento apurado, pois eu tinha 10 filmes negativos de 10 chapas.

Inova Biotecnologia. Foto Leo Lara/Divulgação ©

Quando cheguei na empresa, entreguei os filmes e ja fui redirecionado para ouro trabalho em um navio no Rio de Janeiro e não pude ficar para acompanhar o resultado. Ansioso, como sempre, eu ficava perguntando se estava tudo ok com o trabalho e meu mestre nada me reportava e dizia para concentrar no trabalho que estava fazendo. Quando cheguei de viagem vi um monte de fotos ampliadas e emolduradas no tamanho  100cm x 80cm espalhadas pelo estúdio. Uma dessas fotos foi veiculada em uma revista nacional, em um anúncio da empresa e ganhou um prêmio de Marketing ambiental na época. Dali em diante minha vida se transformou, pois comecei a carregar o título de fotógrafo do Studio Cerri, motivo de muito orgulho. Até hoje esse estúdio existe e eu sou um colaborador assíduo, trabalhando para seus clientes como a Fiat Automóveis, que por sua vez foi uma tremenda escola no campo corporativo.

Qual a diferença entre o Leo Lara fotojornalista e o Leo Lara fotógrafo corporativo?

Bom, para responder a essa pergunta eu preciso introduzir minha porção jornalística, pois como disse anteriormente eu me formei em Publicidade e Propaganda. Naturalmente, deveria ser a minha escolha na fotografia, mas eu não gostava muito de ficar dentro do estúdio e aquelas fotos de produtos eram muito complicadas e demoradas. Naquela época o photoshop era uma piada em relação ao que se faz hoje. Não existia fotografia digital e o arco iris era preto e branco.

Mostra de Cinema Tiradentes – Lúcia Rocha – mãe de Glauber Rocha preparando exposição sobre o filho. Foto Leo Lara/Universo Produção ©

Então a rua era o meu espaço predileto e passei a me especializar em atender os clientes em seus espaços e a fazer fotos nos ambientes industriais. Fazia muitos eventos naquele tempo e além das fotos sociais e estruturas organizacionais, eu já sentia que tinha que contar uma história que focasse nas emoções, pois as pessoas queriam ver as fotos depois e ao olhá-las eu percebia que esse lado era o que mais interessava a todos.

Projeto autoral “Acqua”. Leo Lara ©

Essa necessidade de captar a emoção foi evoluindo na minha cabeça e se traduziu em fotojornalismo corporativo. Nascia aí mais uma estrada a seguir dentro do meu percurso como profissional. Depois de um tempo eu saí da empresa e fui buscar meu caminho, onde passei por uma assessoria de comunicação de uma prefeitura, a da minha cidade, e assim fiquei mais perto do factual. Essa sensação foi crescendo e ao ganhar mais clientes fui introduzindo essa forma de ver as coisas e a ficar mais próximo de outras assessorias de imprensa. Depois de muitas andanças fui convidado para ser editor de fotografia do Jornal O Tempo, em Belo Horizonte, no qual permaneci por 6 anos. Daria para escrever um livro para contar o tanto que aprendi e tantas histórias interessantes que nortearam minha passagem por lá. Não posso deixar de contar uma dessas histórias e aqui relato uma delas:

Depois de um certo tempo no jornal eu fui agraciado com um convite pra fotografar a Copa das Confederações na Africa do Sul, isso em 2009. Eu nunca fui um fotógrafo de futebol, mas já havia fotografado algumas partidas e outros esportes. Entretanto, o fato de eu ter sido escolhido para essa importante cobertura era devido a minha capacidade de enfrentar as dificuldades, além da capacidade jornalística e da minha estética como fotógrafo. Minha habilidade com o inglês também foi um fator, mas o menos importante.

Copa das Confederações, Joanesburgo. Criancas brincam de jogar bola no Bairro Soweto. Foto Leo Lara/O Tempo ©

Pois bem, eu não sei se você que está lendo essa entrevista sabe o que é uma cobertura de copa do mundo. Imagina um dia quente ou frio ou chuvoso que você tem que chegar em um estadio carregado de equipamentos pelo menos 5 horas antes do jogo começar, passar por toda a segurança com cachorros, tirar lente por lente, peça por peça para passar pelo detector de metais e depois de tudo isso reposto, caminhar muito para chegar até a sala de imprensa lotada de fotógrafos do mundo inteiro, obter todas as informações do dia, dos times, dos jogadores, ver as notícias, enfrentar uma fila para descolar um lugar no campo, que certamente não será o melhor porque você não é de uma agência internacional, checar todos os equipamentos, preparar o computador, alinhar o seu corpo para enfrentar horas de tensão, alimentar-se, proteger-se do frio que começa a chegar de repente, posicionar-se no campo e garantir que toda a tecnologia disponível chegue até você e que seus equipamentos respondam e entrem em conexão com a sua base, fotografar os melhores lances e claro: todos os gols, de onde estiver, pois para quem não sabe, você não pode sair da sua cadeira até o final dos 90 min e sem mexer muito pois seu colega ao lado logo te enche de palavras estranhas.

Copa das Confederações, Jogo do Brasil e África do Sul no estádio Elis Park Joanesburgo. Foto Leo Lara/O Tempo ©

Então, meu amigo, tem de ter muita sorte para acertar, pois você está concorrendo com todo mundo aos quarto cantos do campo. Durante e depois do fim do jogo tem que transmitir todo o material final e só daí deixar o estádio junto com o seu colega jornalista, que pode ou não ter terminado o trabalho naquela hora. Tudo é muito desgastante e muito impressionante ao mesmo tempo. Não dá tempo de refletir sobre tudo aquilo no momento, pois você é tomado pela energia eletrizante dos torcedores e da magnitude do jogo. Ainda mais quando você consegue boas fotos e sua base entra em estado de êxtase, dando um feedback que sua missão foi cumprida com louvor.

Quanto à pergunta, creio que o fotojornalismo é a minha essência, embora tenha sido o corporativo a minha base.

O que é fotografia para você?

Creio que a fotografia tenha um sentido comum para todo mundo de alguma forma, mas em particular eu posso dizer que está ligada diretamente a como interpreto os momentos que acontecem ao meu redor. Torna-se um artifício mágico de contar o que eu vejo, da forma como vejo, carregado pelos elementos que compõe a minha formação.

Quais perguntas movem seu olhar fotográfico hoje?

O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?

FCA – Visita do presidente Lula em Betim/MG. Foto Leo Lara/Studio Cerri © 2004

O que é uma boa foto?

A primeira coisa que aprecio em uma foto é a informação. Se vier com emoção melhor ainda. Depois a estética. A luz usada ou percebida e por fim o enquadramento. Para cada item desses vale uma boa reflexão e esse é o mistério do julgamento.

SONAR Investimentos. Foto Leo Lara/Arvore de Comunicação © 2013

Indique três fotógrafos que constituem referências de inspiração do seu modo de ver a fotografia.

O primeiro deles foi Ansel Adams que, com suas teorias e técnicas, fascinou-me e ainda me influencia diariamente. Vale cada leitura sobre ele, suas experiências e sua obra.

Depois conheci o trabalho e por que não dizer a mente de Cartier Bresson. A sua capacidade de captar o instante foi uma bomba de nitroglicerina na minha cabeça. Não há um dia sequer que não tente apertar o gatilho como ele, pois pra mim tudo acontece a toda hora e em todo lugar, mas é somente para aqueles que tem o talento, preparo e atenção que a sorte encontra.

Mostra de Cinema de Tiradentes – Luis Carlos Lacerda, o Bigode, no estúdio do artista plástico Pita. Foto Leo Lara/Universo Produção © 2000.

O terceiro nome é o meu mestre Umberto Cerri, que me ensinou muito. Não exatamente como fotografar e o que fotografar, pois isso acabei encontrando em minhas experiências solitárias e nas buscas por referências, mas sobretudo como a ser um homem, um profissional que se coloca a disposição de atender o seu cliente da melhor forma possível, que se compromete a buscar todos os recursos para se tornar melhor para si e para os seus. Ser digno e a buscar o respeito por sua escolha e pela sua maneira de ser. A ter a honra de carregar o título de fotógrafo como se fosse a melhor escolha do mundo e promover o bem.

Se pudesse escolher uma fotografia ou uma série mais importante para você, qual seria ela e por que?

A foto “A troca do Real” foi minha foto mais importante, a que impulsionou minha carreira como fotojornalista e que me apresentou ao mercado em Belo Horizonte, pelo menos na esfera política.

Fui chamado para fazer um freela cobrindo, por um dia, a passagem do candidato na época ao Governo de Minas junto com o ministro da economia em Poços de Caldas, para fazerem a troca do Real, a moeda de hoje. Imaginem que todos os jornais importantes estavam por lá e claro, seus respectivos fotógrafos carregando seus ultra modernos equipamentos para registrarem esse momento nacional. Eu, dotado apenas de uma camera Nikon FM2, 4 rolos de HP5 Ilford P&B e um flash Frata tipo bolsa a tiracolo (mais manual impossível), fui caminhando pelas ruas daquela cidade ao lado de uns caras que pareciam ser muito bons,  fotografando cada momento naquela caminhada por quarteirões até chegar na agência do Banco do Brasil, onde aconteceria o fato mais importante do dia.

Ocorre que no meio do caminho me dei conta de que minha empolgação me deixou apenas com 6 fotos. Isso mesmo, queimei 3 rolos de 36 e 26 chapas do último filme sem nem mesmo ter concluído a metade do roteiro. Era muita cena e muita adrenalina. Quando percebi o problema comuniquei com o assessor de imprensa que imediatamente me alertou para ir direto à agência do Banco a fim de garantir a foto da troca do Plano Real. Então, abandonei a comitiva pensando no pior, pois algo de extraordinário poderia acontecer na minha ausência. Seria a minha morte antes mesmo de nascer.

Ao chegar no Banco me deparei com um guarda do exército, com uma metralhadora bem assustadora impedindo a todos de entrar e, então, pedi pra chamar o gerente, que logo chegou e me disse que não poderia entrar enquanto não fosse autorizado pelo cerimonial do Governo Federal. Nessa hora, amigo, você tem que buscar muita inspiração para convencer o cara a permitir o acesso e eu disse que estava ali em uma missão especial e que aquela foto iria para todo o Estado de Minas, o que sensibilizou aquela alma boa e facilitou muito o meu acesso.

Ao entrar fui logo perguntando tudo, como por exemplo: onde seria, quem entregaria, como seria isso, enfim, o que um reporter tem de fazer. Não contente com o lugar determinado para os fotógrafos, fui logo entrando dentro da administração e por trás do caixa vi um lugar ideal, onde prontamente me posicionei. Entretanto, logo fui advertido de que não poderia ficar ali. Nessa hora eu bati o pé e disse: meu caro daqui eu não saio pois é de onde farei a foto histórica de sua agência e antes mesmo que o gerente retrucasse fui logo ensinando o caixa a como entregar as notas, em forma de leque, para que eu pudesse fotografar todas as notas.

Passaram-se 5 minutos e o alvoroço bateu a porta do banco com a chegada do ministro e um mundo atrás dele. Foi tudo muito rápido e, se me lembro bem, eu usava uma lente 105mm, onde uma mão segurava o fratinha (flash)  e fazia o foco e a outra segurava a camera e disparava. Primeira foto, segunda e na terceira chamei o ministro para posar pra mim. Ali eu percebi que o candidato não estava ao seu lado e foi quando gritei o nome do assessor, Wilson Santos, que logo entendeu o meu drama e empurrou, literalmente, o candidato. Quarta, quinta, sexta, melhor dizendo, trigésima sexta e acabou, não tinha mais chapa pra nada. Suava igual tampa de chaleira e no meio daquela confusão passei os filmes para o assessor levar para o coordenador de fotografia, Toninho Lara, que já esperava em Varginha com todo o laboratório montado e uma telefoto (equipamentos que serviam para enviar imagens).

Troca do Real – O então ministro da economia e candidato a presidência da República, FHC faz a troca da moeda na agência do banco do Brasil em Poços de Caldas/MG. Foto Leo Lara/Divulgação © 1994.

No dia seguinte me acordaram no hotel jogando o jornal Estado de Minas em cima da cama, com a foto emblemática do ministro fazendo a troca do Real e todos aqueles fotógrafos no fundo da foto. Naquele momento eu fiquei muito feliz pois tudo estava lindo, densidade perfeita, luz correta e enquadramento impecável. Escrevendo isso me deu saudades do tempo do filme, pois embora imaginávamos como sairia, somente depois de revelado era que tudo se revelava, literalmente. O meu contratante do freela logo mandou me entregar um dinheiro para eu comprar roupas e seguir dali todo o roteiro do candidato e assim permaneci na equipe até o final. Por um azar, os negativos se perderam e sobrou apenas uma copia digital da foto.

Qual foi a melhor foto que você não fez?

Certamente já vi muitas coisas que não tive como fotografar pois não carregava minha câmera comigo mas arriscaria dizer que ela virá.

Mostra de Cinema de Tiradentes – O Cineasta Nelson Pereira dos Santos anuncia sua aposentadoria. Foto Leo Lara/Universo Produção © 2004.

Qual fotografia você jamais fará? Por que?

Essa coisa de dizer “jamais” é uma perigosa afirmação mas uma coisa que uma vez fui convocado a fazer e não aceitei foi o pedido da segurança de um empresa para fotografar pessoas que estavam fazendo protestos com a finalidade de identificá-los. Não perdi o cliente, mas o cara da segurança não gostou e fez o seu reclame.  O motivo? Princípios.

Três bons livros sobre fotografia.

Gênesis de Sebastião Salagdo, Adobe Photoshop – Os 10 Fundamentos de Clicio Barroso e Camera Lucida de Roland Barthes.

Um bom filme de fotografia.

“As Pontes de Madison” é um filme que gosto muito, não só pela exaltação da sensibilidade do fotógrafo mas também pela simplicidade com que a personagem se revela. É um filme de amor pela vida em uma fase, digamos, mais avançada da mesma.

Para fazer fotos da relação entre homens e máquinas como você faz é necessário ter uma relação especial com esse tema. De onde vem esse olhar? Essa sensibilidade? Esse entendimento da indústria? De onde vem essa mágica industrial ou corporativa da sua fotografia?

Isso vem da minha base, pois meu primeiro emprego como fotógrafo foi em uma produtora de cinema e fotografia onde fazíamos de tudo para as empresas e a maior delas era a Fiat. Lá aprendi muito sobre essa relação homem-máquina, mas é nos dias de hoje que percebo minha vocação. A magia da fotografia é poder dar uma visão carregada de nuances, cores e luzes agregadas naturalmente ou artificialmente nas locações a fim de ilustrar de forma lúdica algo que parece ser normal ou cotidiano.

 

FCA – Engenharia na Fábrica Betim/MG. Foto Leo Lara/Studio Cerri ©

Mesmo aos 29 anos de profissão aprendo a cada trabalho onde busco ensaiar minhas práticas a fim de extrair algo novo. Isso nem sempre acontece, mas preciso pensar em como desconstruir os meus próprios padrões para causar surpresa. Isso me fascina e me inspira. Meus clientes adoram e eu também.

Que conselhos você daria para um fotógrafo iniciante hoje?

Não pense em quanto você pode ganhar, mas o que e quanto você pode fazer.

Simplesmente fotografe tudo que puder, mesmo que de graça, mesmo que isso lhe custe algo. No início precisamos de segurança e isso só se consegue com a prática. Essa segurança pode demorar, mas seu futuro chegará com ela. Nos tempos de hoje aprenda os novos formatos de comunicação de forma clara e focada em suas atribuições e principalmente em suas preferências profissionais. Aprenda não só as técnicas, mas também outras línguas para se tornar um profissional global, pois o mundo está muito mais perto de todos nós.

Muito obrigado pela oportunidade de poder falar sobre a profissão que escolhi para ser a minha. Sou muito grato à fotografia e acredito que essa profissão só é o que é porque quem a escolhe quer um mundo melhor.

 

Leo Lara

Leo Lara  iniciou na fotografia em 1986 como assistente do fotógrafo italiano Umberto Cerri. Formado em Publicidade e Propaganda pela Fafi-Bh e pós graduado em Cinema pela PUC Minas em 2002, atua na área cultural há mais de 20 anos sendo fotógrafo oficial das mostras de cinema de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Ouro Preto e Tiradentes. Coordenou a fotografia de campanhas políticas para o Governo de Minas em 1998, 2002, 2010 e 2014. Na área do fotojornalismo participou de cadernos especiais para Globo, JB e O TEMPO, onde exerceu a função de editor de fotografia de 2005 a 2012. Atualmente trabalha na área corporativa e em grandes eventos culturais.

www.leolara.com.br

 

 

Enviado em 15/04/2018

Aprovado em 07/05/2018

Como citar este artigo (ABNT)

LARA, Leo. Leo Lara: entre o fotojornalismo e a fotografia corporativa. Err01: Revista de Fotografia. Vol. 2. julho, 2018.

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